As Salinas estão situadas no vale tifónico da Fonte da Bica a 3 km de Rio Maior, sopé da Serra dos Candeeiros. Localizadas a mais de 30 kms do mar e a 80 metros altitude em área protegida do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros.
As Salinas constituem um dos principais referenciais turísticos de Rio Maior, por serem as únicas do género com exploração contínua em Portugal e na Europa. As salinas são classificadas como Imóvel de Interesse Público, no contexto do património cultural português.
Do seu antiquíssimo poço, brota água “sete vezes mais salgada que a do mar”, (cerca de 10.000 litros/hora) que abastece cerca de 400 talhos, ou cristalizadores, que ocupam os quase 3 hectares de área total das Salinas de Rio Maior.

Sal sem mar

Estando a 30 kms da costa atlântica, é de estranhar a presença de água salgada. Esta deve-se à existência de uma mina de sal gema (que remonta ao período Jurássico), muito extensa e profunda, atravessada por uma corrente subterrânea de água doce que assim é transformada em água salgada. Esta corrente desagua num poço, e assim, a água extraída deste poço é salgada, na verdade, sete vezes mais salgada que a do mar.

O sal produzido nas Salinas de Rio Maior é então denominado de sal de fonte salina.

A safra do sal

Em nome da tradição, os “salineiros” têm mantido a exploração no método tradicional e artesanal. Por isso, o trabalho nas salinas é sazonal, ocorrendo apenas durante a época estival. Geralmente a laboração das salinas decorre entre Maio e Setembro, quando existem condições climatéricas favoráveis à evaporação da salmoura. Nessa altura os habitantes das aldeias das redondezas os “salineiros” descem a encosta da Serra dos Candeeiros, para a milenar labuta do «sal sem mar».

As salinas estão divididas em compartimentos de diversos tamanhos, a que se chama “talhos”. Estes antigamente eram forrados a argila. Agora, são feitos em pedra calcária da Serra dos Candeeiros e têm pouca profundidade. Recebem a água salgada que é retirada do poço, (antigamente por duas enormes picotas) sendo posteriormente distribuída pelos “talhos”, através de “regueiras”. Com a água nos talhos, basta esperar que a natureza faça o seu trabalho.

Com o calor de Verão, a brisa e o vento das serras, inicia-se o processo de evaporação e a consequente deposição do sal no fundo dos talhos. Primeiro, reconhece-se a formação de finas e frágeis lâminas de sal à superfície da água, mais conhecidas como Flor de Sal. Com o peso e a ação do vento acabam por submergir. O processo continua até que toda a água se evapora. O ciclo demora quatro a seis dias, conforme a temperatura do ar, o vento e a humidade.

Para o processo de secagem estar completo, o sal é colocado em eiras de madeira, sendo posteriormente transportado para as antigas casas de sal em madeira que povoam a aldeia típica das nossas salinas.

Este conjunto de talhos, esgoteiros, poço e casas de sal em madeira, constituem o denominado Ecomuseu das Salinas de Rio Maior, onde todos os processos desta curiosa e milenar tradição, podem ser vistos in loco.

Flor de Sal

A Flor de Sal é colhida manualmente pelo “marinheiro” ao final do dia e no momento propício, após algumas horas de exposição solar e a suave brisa das Salinas. Apenas durante uma parte do Verão, quando as temperaturas quentes se tornam estáveis, começam a formar-se finíssimos cristais de sal em forma de lâminas na superfície das águas das salinas para criar a Flor de Sal.
A sua colheita difere da do sal, é feita com uma rede especial, que colhe as finíssimas lâminas que nascem à superfície das águas salgadas. Extremamente pura, possui imensos minerais e todos os micro-elementos essenciais à vida humana. O seu ciclo, muito curto, demora quatro a seis horas, entre a criação e a colheita ao final do dia, conforme a temperatura do ar, o vento e a humidade.
A flor de sal Salarium, produzida nas nossas salinas, é distinta de todas as outras, pela sua apresentação em finíssimas “lâminas” estaladiças de cristais brilhantes. Sendo considerada uma das melhores do mundo.
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As salinas e os templários

O sal era um bem de elevada importância na antiguidade, por diferentes motivos, mas em especial, porque era essencial para a vida, possibilitando a conservação dos alimentos pelo método da salga. Na Roma antiga, o pagamento era feito aos soldados romanos em sal, e daí surge o termo salarium que adoptamos para este projecto. A elevada importância económica das salinas em Rio Maior, justifica+ a presença de diferentes povos, como os romanos e posteriormente árabes, estes últimos deixaram a sua marca até aos dias de hoje, como por exemplo nos engenhos das picotas, e no tradicional mecanismo das fechaduras das casas de madeira.

A presença dos Templários nas Salinas de Rio Maior situa-se no século XII. O primeiro registo documentado sobre Rio Maior e sobre as salinas, data de 1177. Nesse ano, Pêro D’Aragão e a sua esposa Sancha Soares venderam à Ordem dos Templários a parte que possuíam no poço e salinas de Rio Maior (Eram possuidores de 1/5 deste património).

Os proprietários das outras 4 fracções seriam D. Pardo, a Ordem do Hospital e a Albergaria do Rei. A Ordem, após a aquisição, deverá ter doado a outras pessoas da região. Desde aí as salinas têm passado de geração em geração.

Houve ao longo dos tempos alguns proprietários famosos, como no século XV em que D. Afonso V era proprietário de cinco talhos, recebia um quarto de toda a produção e tinha o monopólio da venda de sal.
De referir que, o documento de venda de 1177 que se encontra na Torre do Tombo em Lisboa é duma época no limiar da nossa nacionalidade. Pouco antes, em 1147, Santarém e Lisboa tinham acabado de ser conquistadas aos Mouros por D. Afonso Henriques e seus exércitos, com a participação dos cavaleiros Templários e doutras ordens guerreiras.

Segundo os mais antigos, o poço primitivo estaria situado um pouco mais a Norte no local denominado “Marinha Velha” e segundo relatos, no final do século XII só alimentaria 6 talhos. Segundo a tradição, uma rapariga que apascentava umas vacas, tentou matar a sede numa poça de água (feita pela pata de uma vaca) que aflorava num juncal. Sentiu um sabor desagradável a água muito salgada e “azeda”. Ao comentar este facto em casa, seus vizinhos deslocaram-se ao sítio indicado e cavaram no local em que outrora existia o antigo poço, que acabou por secar. Devido a esse facto, mais tarde, abriu-se outro poço no local onde estão situadas as atuais salinas.

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